Jardim Secreto

                 

  Não sei de onde e se soubesse não estaria perguntando pra um e pra outro. Quando não sabemos vamos  a algum tipo de informação que nos levar a saber mais sobre ou talvez não, porque algumas, ou todas colhidas, não leva a nada por que esse nada é nada se fazendo tudo, o que faz com que entramos num transtorno que vai nos levar muitas vezes a loucura. Depende de quem se deixa levar por essas fraquezas. Eu me deixo e por isso estou perdido, a procura dele...sabe quem é ele? Se souber, por favor, me diga alguma coisa para que eu saiba melhor e o conduzo ao seu caminho de merecimento. Ele tem que voltar por que é preciso voltar de onde veio. Corro feito louco procurando alguém que me de uma informação precisa. Ontem ele esteve por aqui, ele, o menino. Sim. Vi ele pela janela. Corria desorientado a procura. Se eu fosse atrás ( pensei sair de dentro de casa e ir atrás dele ) certamente que ele fugiria. Ele não deixaria que o tocasse., nem com os olhos. Tem medo. Sim tem medo e eu vi no seu jeito arisco, de alguém que não quer se deixar olhar, tocar. Esconde algo e podia ser notado através dos seus olhos tristes que não os vi direito. Minha missão seria essa: devolve-lo ao seu lugar de merecimento. Seu lugar de merecimento estava tão longe, não geograficamente longe e sim longe por ser desconhecido dai essa distancia de ideia de onde pudesse retorna-lo e dar lhe a paz merecida. Será que ele quer essa paz? Teria que ir pessoalmente perguntar a ele se deseja a paz

     - Você deseja a paz? – perguntei de longe e a minha pergunta foi num eco. – Você ce ce ce quer er er er a paz az az az az??????- Ele não respondeu. Ficou ali, se fingindo de mouco. Ele fingia tão bem que fiquei com raiva. Seu ar esnobe me deu uma sensação de inferioridade. Ele jamais falaria comigo por me desconsiderar como ser humano e se colocar acima. Eu não era nada diante dele que tinha um ar altivo, de quem não precisa dos outros e sim esses quem precisam dele.

     - Que se dane este moleque ordinário! – exclamei com toda a raiva dentro de mim – quero que ele vá as favas. Não vou me importar. Deixo o com o seu esnobismo e, já que não precisa de mim... – virei as costas e fui embora, voltando para o interior da minha casa. Senti uma tristeza tão grande e pensei em me acabar. Ninguém, nem mesmo um menino perdido, vindo não sei de onde, dava importância a mim, por mais que eu quisesse ajudar. O menino já devia saber quem eu realmente era por isso ignorou a minha ajuda. Quem era eu para ajuda-lo?  Eu era um lixo que deveriam jogar na lata para o caminho levar e assim limpar a cidade. Um lixo e já ouvi essa ofensa de alguém, há muito tempo. O menino perdido me achava um incapaz de poder ajuda-lo e só podia fazer isso alguém que fosse muito importante. Não eu que não era ninguém e morava numa casa simples, num bairro pobre. O menino estava por aqui porque caíra aqui. Estava odiando estar em um lugar desprovido de tudo, do que que pudesse ser do seu mundo. Ele tinha ares de alguém de um outro lugar, situação de vida social tão superior que resolvi esquecer. Esqueci. Liguei a tv e fui assistir um programa qualquer, que estava passando no momento sobre culinária.

Eu estava tão concentrado numa receita que a apresentadora estava passando sobre um pudim ( amo! ) que nem me lembrava mais do menino tal que nem deu a mínima a mim quando quis ajuda-lo. De repente vi que a janela fez um barulho e achei que fosse o vento mas não. Dei um grito quando vi aquela cara me olhando pelo vidro da janela da sala. Como é que ele entrou no quintal se eu tinha trancado tão bem o portão e o murro era alto sem como escala-lo? Não tinha mais aquela arvore no pé deste novo murro. Antigamente havia uma árvore ali que foi crescendo, crescendo e facilitando para que pulassem para dentro do meu quintal. O menino estava ali, com uma carinha que me deu medo e do ao mesmo tempo. Fiquei o olhando enquanto ele, com aqueles seus olhos perdidos, olhava para dentro. Vi que esses olhos pediam por socorro. O menino estava precisando de ajuda e tinha medo, vergonha de dizer por isso fugia. Fiquei na minha. Não síria para fora afim de ajuda-lo já que ele não queria. Continuei assistindo o programa com ele ali, olhando com olhos de piedade. Teve um momento que cochilei e veio um sonho repentino. Vi o menino pisando na beirada de um precipício quase caindo. Cheguei a tempo e peguei na sua mão

     - Opa! – falei após segura-lo firme. Ele agarrou a minha mão sem na minha cara. Tinha vergonha e não queria ficar me devendo depois ate na obrigação de me cumprimentar depois quando cruzasse comigo todas as vezes.

Acordei deste cochilo de uns segundo e no olhar para a janela não vi mais o menino. Ele fora embora e então comecei a chorar ali. Peguei o controle e desliguei a tv. Nada mais poderia me distrair senão ele que agora vinha nos meus pensamentos e eu me sentia só, numa tremenda solidão, de quem precisaria agora em diante desta companhia.

O menino não estava mais ali. La fora o cachorro em momento algum latiu, mesmo com a invasão deste. Se não o fez foi porque simpatizou com o menino e o deixou entrar sem alardear. Era preciso deixa-lo entrar porque este tinha que entrar.

Sai então que nem um louco, atrás do menino quem nem devia estar ai por mim – mais uma vez o besta aqui querendo ajudar um esnobe. Mas o menino mexia comigo e eu precisava encontra-lo. Fui em todos os lugares, perguntando pra um e pra outro e ninguém sabia por não tê-lo visto e dizer pra mim que eu estava louco – não havia ninguém com  aquela descrição. Claro que havia. Eu o vi,sim,vi ele por ali, rondando a rua da minha casa. Ele só não olhava pra mim mas caminhava pra lá e pra cá, de um jeito tímido de ser, com medo de alguém, de alguém pessoa. Pensei que ele talvez estivesse com algum problema de saúde por isso tinha medo. Ele deveria querer morrer sozinho, para não preocupar os outros – principalmente alguém relacionado a ele, como pais e irmão. Isso se os tivessem.

Fui no seu encalço. O negocio era ajuda-lo mesmo quanto a sua vontade. Se dependesse nada seria feito porque não tinha razão nenhuma para ser feita mesmo por uma mínima parcela.

Percorri as ruas em busca dele que corria em passos lentos atrás das pipas no céu. Nada de o tê-lo por perto afinal não era lá grandes coisas. Era preciso deixa-lo de lado já que não tinha jeito. O jeito era abandona-lo e seguir o meu percurso, sem olhar para trás, como a mulher de Ló que virou estatua de sal ao olhar as cidades sendo destruídas e duvidar. Se olhasse correria o risco de algo desagradável. Deixei então ele ali, no seu lugar devido e fui viver sem me preocupar, mesmo sentindo aquele vazio que agora me incomodava tanto por sentir a sua falta.

Era estranho aquela sensação de abandono. Não que eu fora abandonado por alguém e sim me sentia abandonado por mim mesmo, como se aquele menino misterioso fosse eu que não sabia toda aquela sensação de abandono, vazio, sei lá, era  porque faltava uma parte de mim que certa vez deixei escapar por não saber administrar. Esta parte com certeza era o tal menino que se desprendeu de mim. Eu o era por isso procurava saber dele, de mim mais precisamente.

Fui dormir com uma sensação completamente estranha, com medo de morrer no sonho, sem me defender de um tormento que me levava para o fim que antes ignorava. Era o fim, meu fim pelo fato de ter deixado escapar de mim eu mesmo que agora corria por ai afim de uma nova chance que com certeza não teria. Se eu ficasse pra valer mesmo, seria a mesma coisa ou pior. Durante anos me apeguei com a ideia de morte o que de uma certa forma funcionou como um sentido que eu precisava para continuar numa vida completamente sem nexo, vazia, carente de tudo. Se eu soubesse que estava totalmente bem não teria o valor que eu depositara para continuar vivendo em um organismo que morria a cada dia, sendo destruído enquanto eu fingindo para mim mesmo que não era nada sendo que era a coisa mais seria que ia se fazendo pouco a pouco, dias, meses, anos e agora ali, o menino que já estava solto era eu que saíra de mim e procurava um rumo até certo ponto quando fosse a hora de esconder de vez de todos, menos de mim que me sentia, mesmo que ia deixando de ser aos poucos, lentamente, num medo que ia vencendo ao poucos o que não queria dizer que o venceria de todo porque sabemos que não.

O menino que era eu fora embora mas eu sentia que podia encontra-lo por perto. Sai na sua captura, indagando para um, para outro

     - O senhor viu por ai um menino tal? – perguntei a um senhor que estava sentado no banco da praça lendo o jornal. Ele ergueu os olhos e fitou me com um ar meigo. Respondeu que sim

     - Ah, então o  senhor o viu? E cada ele?!

O tal senhor apontou para dentro de mim. Disse que o menino que eu procurava estava dentro de mim. Fiquei mudo, com medo e as pernas tremulas. Não disse nada. Fui me afastando lentamente num ar atônito com medo, muito medo. O menino estava dentro de mim mas eu sabia que não. Ele tinha saído por que teve medo de assumir um corpo que se desfazia dia a dia e então se foi e quando a poeira abaixasse, voltaria e se se apresentaria como sendo eu. Ele tinha medo de ficar e ter que aguentar as consequências de um corpo decadente, que cai aos poucos e logo estaria completamente arruinado, sem a mínima chance de poder continuar. Chorei copiosamente no meu quarto com medo de encarar o espelho e enxergar algo errado, que me preocupasse ainda mais do que eu andava preocupado. Uma leve enxaqueca começou, afinal, eu sempre tive esta enxaqueca que se transforma numa forte dor de cabeça o que me preocupa muito. Não deveria mas me preocupo e tenho medo. Fugi de mim por medo e de vez enquanto espio a mim mesmo para ver se esta tudo bem para quem sabe retornar. Mas desta vez é pra valer – sem chances! – estou me acabando e daqui a pouco não sou mais o que ainda sou. Se eu ficasse, sendo absolvido desta angustia, sairia por um portão e olharia para o horizonte. E agora? O que vou fazer? Passaria perto de todos e esses nem estaria ai por mim porque cada um é cada um e pimenta nos olhos dos outros é refresco.

O menino estava correndo por ai. Eu tinha que ir atrás dele e faze-lo encarar a rela situação. Era preciso lutar juntos e assim fazer a passagem confiante. Perguntei por mim, quero dizer, pelo menino que sou eu. Ninguém sabia- claro! Quem pode ver um ser invisível por ai. Deixei de lado. Só eu poderia vê-lo e gritar ´por mim. Corri ruas e ruas, milhas e milhas e fui em tudo. O menino corria e se escondia

     - Não foges de mim! – gritei – Não adianta por que o que tem que ser será, vai ser! – ele parou e olho. Estava tão longe e ao mesmo tempo perto que ele enxergou a mim, meu coração que pulsava ofegante depois de um longa caminhada atrás dele. Olhou por um longo tempo de depois desapareceu. Eu não tinha mais forças e ali sentia que me desafazia por falta de animo que eu não tinha. Meu corpo estava tombando e eu não conseguia faze-lo se reerguer. Era o fim porque tinha que um dia ter fim e o momento era aquele por mais doido, triste que fosse. Era preciso enfrentar o medo porque uma hora tudo se acaba. Eu não estava sozinho numa situação triste daquela em que temia o fim. Existiam muito outros e eu iria sobressair com fé em Deus.

O menino teria que voltar  mas por enquanto o deixaria sonhando por ai, fora de mim fazendo com que eu tivesse momentos agradáveis no meu derradeiro momento de vida.

O menino eu tinha que vagar, vagar mesmo depois do meu fim. O deixaria por ai sem me preocupar. Eu gostava de ser livre, mesmo que ser livre era estar na imaginação, fazendo o que na real era completamente impossível

O menino foi embora mas certo dia estava eu por aqui, lendo um livro quando o vi sorrindo para mim numa felicidade nunca antes vistas em outro alguém. Sorri em vê-lo feliz o que significava que eu estava bem comigo e com todos e isso era fantástico. A vida melhoraria e seguiria mesmo não sendo.

Ser é uma questão de ser mesmo não sendo o que deveras todos somos quando estamos. Eu sou porque estou em funcionamento e mesmo que deixar de ser sim serei pelos que existem por mim

Quanto ao menino ele falou que por enquanto ficara longe, se escondendo aqui e ali. Falou comigo. É, ele falou e sua voz era de uma outro pessoa e não a minha que sou ele por isso deveria falar por mim por ser eu.

Não sei até quando mas é assim que vai vivendo quando se estava morrendo aos poucos e tem medo de continuar e sofrer.

O menino voltaria quando a poeira abaixasse.- coisas dele –

Eu o resguardaria até o ultimo instante, se isso fosse mesmo o que estava para acontecer. Mas era chegada a hora. Era o momento de ir para nunca mais por isso o menino se adiantou e saiu deste jeito, com medo de ficar e sofrer as dores físicas. Deixei que ele se fosse entendendo que se fosse eu também fugiria, mesmo este sendo eu mesmo.  Eu já estava fugindo porque eu era ele. Tinha medo e assustava me uma partida desconhecida por todos que ainda estão por aqui com medo de ir para o desconhecido.

Fiquei sozinho, comigo mesmo, fingindo que estava tudo bem – e estava tudo bem. Não era porque eu estava mal que o mundo estava mal. Estava mal pra mim ou bem. Acho que esta bem porque agora, mais do que tudo eu estou vivo a procura da vida no qual desconhecia.

O menino, eu no caso, sai por ai a procura de algo especial para fazer. Sabe o que fiz? Vi um jardim seco, todo arruinado de uma casa abandonada no meio do nada. Parei em frente e com o meu tablet celular, tirei algumas fotos afim de postas no instagram. Faço sempre isso e alguns curtem ainda mais quando dou aquele efeito que o aplicativo disponha. Fica uma maravilha. Olhei o jardim e tive vontade de entrar e começar a arruma-lo. Olhei através das grades do antigo portão trabalhado em ferro lavrado. Fiquei enamorando o jardim seco e num momento me vi do lado de dentro adubando a terra para o plantio de novas flores que estavam dentro de saquinho esperando para serem plantadas. Algo me chamava para dentro e não é que o portão estava aberto. O menino, eu, desapareceu assim que me aproximei. Tentei gritar para que le ficasse pois não precisava ter medo de mim mas ele teve medo e saiu esquecendo seus instrumentos de trabalho. Apanhei a colher de cavucar a terra e dei inicio ao serviço. Tinha que desbravar aquele jardim seco e deixa-lo verde, colorido, com vida. O trabalho ali seria demorado e compensaria todo o tempo gasto nele. O menino ora me espiava pensando que eu não estava o vendo. Eu fingia não estar vendo e o deixava ajudar do seu jeito, distante. Logo mais um gato rajado apareceu. Era uma gata femea e lembrei da Hazel,minha gatinha que morreu atropelada há alguns dias. Ela me olhou e fez sinal que precisava de carinha. Sorri para ela que fez um ar meigo deixando com que me aproximasse se acaso quisesse acarinha-la. Ela precisava de carinho pois estava so depois de morrer atropelada. Tadinha da Hazel. Era tao arisca e dificilmente deixava que se aproximasse dela para pega-la. O menino, eu, era igual a ela. Não deixava com que ninguém se aproximasse dele.

A Hazel agora entendia que era preciso se deixar aproximar por que so o amor da forças para aqueles que estão só e precisão de uma palavra de carinho. Ela se aproximou e tocou com a patinha uma flor amarela. Empurrou para mim. Apanhei e agradeci a flor amarela que significava amizade. A Hazel agora era a minha amiga ao contrario do menino que fugia, com medo que eu me aproximasse dele para algo que o temesse. Ele tinha um medo por se sentir inseguro por isso não se aproximasse. Mas ele um dia se deixaria se aproximar e juntos faríamos a passagem que nos aguardava. Era preciso transformar aquele jardim e quando ele ficasse completamente pronto ai sim deixaríamos este momento por aqui... Era triste pensar assim mas a hora se aproximava.

Eu me sentia dentro de um relógio que esperava para dar o momento final. E este momento estava tão próximo que ficava evidente todas as vezes que me olhava no espelho e sentia esta perdendo algo que me apavorava. Os ânimos sumiam, dia a dia e eu precisava disfarçar, mostrar para os outros que eu estava bem o que não era verdade. Eu estava mal, mal mesmo mas era preciso viver agora a vida que ainda me restava e eu ia viver, angustiado sim mas dando todo o valor no pouco que tinha dentro de mim.

Mãos a obra para o jardim seco. Uma vez quis um jardim de um jeito meu mas logo o abandonei. Fiquei desanimado porque ele não era meu e não podia fazer o que eu quisesse fazer. Arrependimento por arrancar plantas vivas. Hoje não faria ( Deus me livre! ) nenhum ser vivo deve ser machucado ou arrancado antes do seu tempo. Ninguém pode ser podado assim e as plantas do jardim seco seriam tratadas para reviverem, assim como eu tinha que reviver, olhar para o infinito e acreditar que existia um sentido singelo que me tocasse com a força de uma vida tão significativa que eu andei ignorando até então.

Veios a chuva que colaborou com o restauração do jardim seco que foi ficando verde, com vida e a ser visitado pelos pássaros que cantavam. A Hazel esteve do meu lado,me ajudando, brincando com uns matinhos. Tadinha da minha bichinha. Estava tão viva que queria mais do que nunca viver agora naquela nova chance que lhe fora dada. Num momento a olhei e vi que os seus olhos não estavam mais assustados. Ela me olhava com simpatia, com olhar de amizade. Me ajudou e tudo com sua patinha rajadinha, tão fofinha. E assim seguiu a restauração do jardim verde. No fim não acreditei no que os meus olhos agora viam de novo, vi o Patrick, meu gato que sumiu. Chorei ao vê-lo. Ele veio ao meu encontro e o peguei no colo

     - Meu bonequinho voltou! – peguei o e ergui na altura do meu rosto. Patrick era só dengo e aquele seu miado de quando queria algo. A Hazel vendo aquilo chegou também perto. Ela gostava do Patrick,curtia o como sendo seu irmão bonitão mais velho. Tadinha. Gostava tanto do mano,se orgulhava tanto dele,como uma pessoa se orgulha da outra e demostra isso ao ve-la

O trabalho no jardim seco continuou agora com dois ajudantes: A Hazel e o Patrick. Descansamos mais tardes quando dei a ração a eles que comeram comportamente. O menino,eu,nos espiava de longe,atrás de um arbusto. Fingi não ve-lo para não assusta-lo e ele parecia mais calmo com um olhar seguro de que estava vivo,sem aquele medo de outrora. Entrei em comunhão com o sistema divino. Fitei o ceu azul,com nuvens espassas e pedi a Deus paz espiritual. De repente o sol amenizou e uma garoa começou a cair sobre o meu corpo estranho. Senti benção. O menino logo sumiu. Senti uma força dentro de mim. Não estava mais fraco,cambaleante. Estava revigorado,forte,tão forte que o medo desapareceu e veio a sensação de eternidade. Era igual antes. Eu estava fincado naquele chão e qualquer movimento tinha a força antes não sentida,aquele andado que parece que vai te levar para outro lado, o corpo fraco que você disfarça o máximo para que não percebam seu andado cambaleante de quem acabou de sair da cama e ainda esta sonolento. Eu estava assim e agora não estava mais. Estava firme,forte,sem desconforto algum que me colocasse medo,insegurança. Era ele,o menino de mim que voltou para dentro e me deu uma nova chance de seguir uma vida cheia de valores,significados. Era a vida que eu tinha,um presente. O importante era eu e sendo eu um ser importante,valorizava todos,independentemente. Estava decidido que de agora em diante cuidaria de muitos jardins secos,dos infermos,dos velhinhos nos asilos,dos infermos em muitas partes. Esse seria o meu papel e Deus me dera esta dadiva. Eu iria sim cuidar dos meus irmãos,levar palavras de conforto para suprir a solidão daqueles que viviam tristes por ai,se sentindo vazios, sem a companhia de alguém para sorrir um sorriso de espirito. Eu iria visitar os velhinhos nos asilos. Me faria bem. Queria ouvir suas historias,com atenção porque eles tinham lindas passagens pela vida e isso era tão importante para eles expor suas alegrias.

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