Entre o Sentir e o Ser

                   Entre o Sentir e o Ser

Hoje pensei muito, sabe. Olhei para a frente, voltei para trás e senti algo difícil de explicar — uma sensação sem nome, dessas que não fazem sentido, mas que existem.

À tarde, comecei a me esquecer um pouco de mim mesmo, de quem estou sendo, e isso trouxe uma estranha leveza. Era como se fosse apenas vida acontecendo. Ainda assim, uma leve tristeza caminhava comigo, discreta, sem pesar demais.

Não há desespero em ser. Também não há descaso. Há apenas um estado — neutro, aberto, em movimento.

Pela manhã, falei sobre o dia, sobre o sábado, sobre minhas frustrações e ambições. Mais tarde, fui me acalmando. Deu vontade de ler, assisti a uma novela antiga e me vi aprendendo, pouco a pouco, sobre política, sobre direitos, sobre como me posicionar no mundo.

Fui sentindo. E agora estou assim: sem grandes emoções que me derrubem ou me elevem demais. Um estado quase silencioso por dentro.

Mas sinto falta de ação. Sinto falta de algo que me impulsione, que me faça gostar ainda mais do que estou sendo. Há em mim uma vontade de viver com mais intensidade.

Curioso é que já houve um tempo em que pensei que não me emocionaria com certas coisas. E, no entanto, foram justamente os gestos simples que provaram o contrário.

Se há emoção, há vida. E, havendo vida, há inúmeras possibilidades de seguir, de se transformar, de contemplar o caminho.

A gente só não pode acreditar que tudo será feito de flores. O caminho também exige tropeços: chutar pedras, pisar em espinhos, parar, olhar. É assim que se reconhece o real percurso de todos nós.

E, no fim, é isso — seguir, mesmo sem entender tudo, mas sentindo.

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