Cartas A Mim

                      Cartas a Mim. 01


Começo hoje, 30 de maio de 2026, a escrever para mim mesmo.

Está uma noite fria — não aquele frio de inverno, que ainda nem chegou —, mas um frio de outono. Numa cidade quente como essa em que moro, quando esfria assim, já é uma vitória. Um clima agradável, um suspiro, uma inspiração.

Estou aqui, meio perdido numa sensação que, no fundo, eu gosto muito.

O sábado foi — e ainda está sendo — agradável. No trabalho, foi tudo tranquilo. Nada que me fizesse pensar em uma nova estratégia de vida, daquelas que eu sempre acho que preciso, mas nunca consigo de fato tentar.

A essa altura da minha vida, conversei com um colega sobre coisas bobas.

Na saída do trabalho, fui até o posto de gasolina calibrar os pneus da moto. Depois, voltei para a avenida aqui perto do condomínio. Sentei no mesmo banco de sempre e fiquei ali, contemplando o movimento, mexendo no celular e terminando de assistir uma novelinha vertical — episódios de um minuto.

Estou gostando disso. É rápido. E hoje em dia, parece que a gente não tem mais saco para coisas longas.

Antigamente era diferente. Só tínhamos a TV aberta. Hoje tem redes sociais, streaming, YouTube e tantas outras coisas. Tudo disputa a nossa atenção.

Ler um livro, hoje, parece quase um ato raro. Quem lê um livro deveria ser reverenciado, premiado… sei lá.

Estou iniciando essa escrita com a ideia de comprar envelopes, selos, e mandar cartas para mim mesmo.

Agora estou fazendo café na cafeteira elétrica. Para a janta, miojo. Como miojo nos finais de semana.

É isso.

Tchau.

30/05/2026
🌙 Noite fria.


                               ***

             

                  Cartas A Mim. 02


Oi, tudo bem com você agora? Como anda tudo por aí? Desculpa, pois eu sou tão ruim na escrita e mesmo assim escrevo porque sinto vontade de escrever. Não sei porquê. 

É mais forte do que eu, por mais que tentei por muitas vezes não escrever mais, mas não teve jeito. Vendo um papel, uma caneta, antes uma idéia, e lá estava eu escrevendo sobre o que estava acontecendo comigo ali. E eu escrevia porque escrevo. Não sei o que dizer, porque estou muito bem, graças a Deus. Estou só fazendo o que gosto de fazer. Quando estou no meu estado de solitude, eu quero organizar tudo o que tenho por aqui. Quero dar a mim as asas que não pude dar lá atrás. Hoje sou livre, posso voar com os meus próprios méritos. Quando eu digo que hoje posso voar, é porque posso mesmo. 

No escrever essas coisas para mim, procuro amainar o meu espírito, correr de encontro à minha forma de ser eu mesmo, como sempre fui. 

Hoje estou evoluindo nesse sentido e posso me dar essas chances que vão protegendo o meu todo. Isso não é uma carta tradicional, como aquelas com aqueles dizeres tais, contando o estado tal, indo direto no que ia falar, como um telegrama, porém extenso. O telegrama era imediato, com uma frase: nunca mandei um telegrama. Sei que era algo urgente a ser enviado. 

Não sei se é isso. pesquisando há pouco no Google, vi que ainda existe. Que coisa, não? As cartas ainda existem, por isso vou começar a enviar cartas a mim mesmo, contando como estão as coisas por aqui. A cada carta eu falo do que tenho passado, como estou sobrevivendo. No momento estou vivendo, pois tudo flui bem. O outono me faz bem e fico vivendo esperançoso de tantos. Amanhã, quem sabe, a vida segue e eu continuo por aqui. 


31/05/2026

Manhã de Domingo.


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