Conclua a vida e não a deixe passar em brancas nuvens.


Conclua a vida e não a deixe passar em brancas nuvens. O céu está aí; a noite pode te dar estrelas gratuitamente para que os seus olhos enxerguem a dimensão da sua alma num vagar de sonho. Siga em frente sem esses obstáculos que impedem a gente de lutar pelos próprios ideais. O tempo, que deveria aconchegar, apenas nos faz idealizar o que antes era tão real dentro do nosso viver.
Conclua o que começou. Se começou algo, esforce-se e vá até o fim. No mais que insiste tanto, sinta o seu sentimento — ele é igual a todos os sentimentos possíveis. Se você for sonhar, sonhe de forma possível. Veja-se dentro desses sonhos do seu onírico. É possível enxergar um clarão e fazer disso uma enorme emoção. Não veja como quem olha sem sentir; não transforme tudo nesse surreal cansado.
24/05/2026 — manhã
É na força do que tem que ser. Esvaziar os minutos, diluí-los nos segundos, fazer acontecer dentro desse tão pouco que tenho agora. Preciso ser rápido, correr, pensar num jeito específico de me comunicar com os meus sentidos. É nesse vai e vem, é no agora mesmo.
21/05/2026 — noite
É muita coisa, não é?
Mas eu vou fazer ser.
O que você diria que eu realmente preciso saber neste tempo de hoje? Cadê? Cadê aquilo de que necessito tanto? Vou embora para nunca mais. Nem vou pedir outra vez. Quero conhecer outros dias que se apresentem em formatos diferentes. Quero permanecer no meu mais e recuso, terminantemente, essa presença que já não me acrescenta nada.
Enquanto aqui, neste ponto de chegada, só me resta esse vazio de nada mesmo.
Meu coração ainda é bobo. Esperançoso. Apega-se a sentimentalismos. É o que tenho. Insisto demais nesse esforço contínuo que ainda me coloca para lutar por um tempo que imagino existir.
Te digo um olá e me fecho feito ostra. Se me pedires explicações, falarei daquela paixão que me deixou na solidão.
Hoje não entendo mais aquele meu sentir.
Você não está mais aqui.
24/05/2026 — manhã
De dia, quem sabe o que ainda posso fazer agora. Quero que sorria o sorriso deste momento. Faz isso por mim, vai. É no agora que canto esse novo amanhecer. Quero viver o dia como se ele jamais pudesse desacontecer.
Ontem eu conheci você; hoje te conheço muito mais através do que ficou e virou essas ideias de amanhecer. O que é isso, afinal? Não digo porque não entendo. Só sei que sinto.
Está de dia, mas o sol não chegou. É outono. Dentro de mim, quero agasalhar esse sentimento.
De noite, quero abrir bem os olhos e me encontrar em algum ponto do seu pensamento. Diz que ainda estou por aí, vai.
Tem vezes em que sei: quando você pensa no que houve um dia, ainda me guarda em algum lugar. E eu sei. Você é essa pessoa que tanto sonhei.
24/05/2026 — manhã
Não se liga ventilador no frio. Estou aqui. Acho que rio. No sombrio, rio de rio — águas — ou rio de rir, sorrir. Não… rio, rio mesmo, de rir.
Desculpa. Não estou conseguindo continuar.
Se eu soubesse de um rio, sorriria então. Quer que eu te dê a mão? Rio de águas, meu rio de agora, deságua no mar, porque já não há mais o que sonhar.
Há em mim um leve sonhar. Ouço o que não existe e isso me incomoda numa vida já incomodada.
Se eu não me levantar desta cadeira, meu pé direito vai ficar dormente. Preciso ir para a cama. Repousar. O pé desperta devagar, o sangue voltando a circular.
Soltei um pum. Som real demais aqui. Sou real demais aqui.
Quero apenas fazer o que o momento me pede. O que posso dizer?
Ouço alguém tossir. Coisa do tempo.
Uma criança fala, e desconfio que esteja dentro do espectro autista. O homem — talvez o pai — tosse, assua o nariz, parece um cachorro louco.
Imagino a criança brincando com um avião. Ela o ergue com a mão e o conduz pelo mecanismo da própria emoção. É um coração. É um coração.
A criança também tosse. O pai, daqui a pouco, vai tossir de novo.
Silêncio lá.
Silêncio aqui.
Só escuto meus pensamentos enquanto a caneta escreve isso.
Preciso ir para a cama e dormir.
O homem parece um cachorro louco. A criança conversa sozinha no próprio imaginário.
24/05/2026 — manhã

Comentários

Postagens mais visitadas