Boa dia, Wendel!
Boa dia, Wendel!
E porque escrever e enviar pra você? Sei que de alguma forma, gosta, mesmo sendo um texto longo.
Você,não sei,me perdoa se eu estiver errado,lê por cima, sem saco para ler algo grande e com erros gramaticais, de concordâncias e pontuações.
Os meus texto dizem algumas coisas que mexe com você,não mexe? Você disse isso. É. E humano,de nós,daí algumas coisas fazerem sentido para o outro que ler e se ver em algumas coisas.
Como eu disse no texto anterior,já faz uns dias,meses,que perdi a vontade de escrever,me tornar um escritor. Antigamente eu amava entrar em canais no YouTube e encontrar vídeos sobre escritores, literatura. Para mim era tudo. Hoje,me dá enjoo de ver isso e imaginar o sofrimento de pessoas que vem predestinadas a fazerem aquilo que muitas vezes é um fardo e no entanto precisam fazer. Existem muitos que amam e não vivem sem. Acredito que muitos artistas foram, e são, chamados por uma obrigação de serem o que não sabiam, foram sendo e criaram coisas extraordinárias. Por não saber,não querer, o que lhes deram feitos surpreendentes.
Nem sei o que é de mim. Resolvi que podia ser através da solidão,entrada na adolescência, puberdade, onde os adolescentes vão descobrindo o prazer no sexo. Quando somos expulsos do paraíso, é preciso se virar. Eu sai da infância e não sabia me virar como ser humano. Eu não sabia nada de sexo, de praticar, gostar de alguém. A gente se encanta pela figura que nos atrai, no caso, nós, gays, por aquele menino bonito e sonha namorar com ele. O gay não quer só sexo, é romântico e sonha estar com aquela pessoa no qual se apaixonou. Não é assim?
Então, entrei na adolescência sem saber ser, me virar e para aliviar a solidão, veio a vontade de escrever e então passei anos assim,pedindo a Deus que se eu nunca encontrasse alguém, não fosse possível ter um namorado, que me desse o poder da escrita e me transformasse num grande ser humano. E fiquei anos nessa ilusão. Todas as vezes que algo não podia acontecer, na minha cabeça vinha a idéia de que um dia seria recompensado por tudo, pelas faltas. Eu só queria ser um escritor conhecido, que a minha escrita fosse mágica, fizesse sentido. Só queria isso pra mim, como se fosse possível, ainda mais num país como o nosso e sendo de nível social inferior.
Mudando de assunto. Nesses últimos tempos, tenho uma idéia fixa na cabeça: ficar rico,conquistar,com todo os meus esforços e sorte da vida,aquilo que não consegui lá atrás, por pensar demais e não correr atrás da realidade.
Tem aquela música que diz: " Quem espera que vida seja feita de ilusão pode até ficar maluco ou morrer na solidão. E preciso ter cuidado pra mais tarde não sofrer...É preciso saber viver."
Eu preciso viver mais do que nunca, apesar de tudo. Ao contrário de você, que não vê nada de interessante na vida,eu vejo, e muito. Vejo milhares de oportunidades, de força de vontade. Eu só estou tentando acertar a minha.
Sabe,Wendel, desde que eu era criança, a sensação de morte me perseguia. Eu tinha muito medo de morrer. Apesar de pensar muitas vezes em suicídio quando eu me aborrecia, ficava frustrado com pessoas que vinham me maltratar, isso era uma maneira inconciente de chamar a atenção pra vida que poderia me mostrar que coisas bobas são fáceis de serem corrigidas. Se aborrecia com algo, dali a pouco um gesto simples que seja, de outros, ou até mesmo daqueles que nos maltrataram, pode mostrar todo um conceito de como somos feitos de sentimentos, somos frágeis bolhas que espetadas podem explodir. Um sorriso de alguém, uma palavra que seja, pode fazer a gente recuar de uma decisão tão drástica,que é sair de cena por coisas tão insignificantes e que nós fazemos tempestade em copo d'água. Fiz muitas tempestades em copo d'água. Via o fim de tudo, dando importância a seres que estão no mesmo sentido que eu. Eu dando importância a um ser humano que vai morrer e feder, feito todos nós. Com o tempo a gente vai evoluindo,sabendo e tentando lidar com tantas situações complicadas que nos coloca para baixo,por coisinhas tolas.
A nossa passagem pela vida nos apresenta pessoas que de uma certa forma esta ali por algum motivo,assim como você também fez umas participações na minha história,lá na Colormaq, pequenas aparições e que serviram para algumas mudanças. Lá na Salsaretti conheci alguns. Esta semana estou trabalhando com um menino, novinho, 21 anos. No começo o achava estranho,quieto demais, assim como você. Agora,trabalhando com ele,nossa! A gente está conversando,ele gosta de ler,leu muitos livros. Me apresentou uma escritora Mineira chamada Carla Madeira. Você conhece? Ela escreveu um livro chamada Tudo é Rio. Esse colega de trabalho falou dela,desse livro. Já o baixei e vou ler.
É isso, Wendel.
Até mais!


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