O Grito da Injustiça e a Covardia do Silêncio


 O Grito da Injustiça e a Covardia do Silêncio

Hoje acordei acreditando que o problema de ontem teria se resolvido de um dia para o outro, mas percebi que não posso deixar essa injustiça sem solução. Não posso simplesmente colocar uma pedra em cima e aceitar. A vida toda eu fiz isso: quando era jovem, não sabia lidar com as humilhações e, por não poder reagir, guardava a mágoa por dias. Era um medo das consequências, um medo paralisante de coisas que parecem insignificantes para os outros, mas que nos esmagam.
​A gente reluta, aguenta e faz de tudo para ajudar. Mas, no momento em que gritamos contra a injustiça, somos esmagados. Fui derrotado porque a outra parte não aceitou o meu basta; ela se achou no direito de humilhar, mas não aceitou que eu me revoltasse contra meses de abusos. Essa pessoa manifestou-se na hora, usando o amparo que possui para inverter a situação.
​Hoje, vejo-me pisado por pessoas insignificantes, iguais a nós, mas que não possuem um pingo de respeito. Por mais atento que eu esteja para colaborar, essa pessoa continua pisando. Eu respeitava o espaço dela para evitar o confronto, pois sei que, nas vezes em que tentei revidar, acabei perdendo. Com o tempo, fui acumulando essas humilhações, tentando ver até onde a paciência resistiria e se o outro passaria a me respeitar ao conhecer meu valor. Mas não. Ela insistiu no erro porque me viu como uma presa fácil, um "idiota" que aceitaria gritos para manter o controle.
​No momento em que eu não aceitei mais o grito, fui apontado como o responsável pelo conflito. A pessoa me tirou do sério, me desconcertou, e eu tive que reagir. Achei que o confronto resolveria, mas o outro não tem estrutura emocional para ser confrontado. A única estrutura que essa pessoa possui é a de gritar; ela não aceita que eu fale em tom de igualdade, pois sabe que serei severamente punido. E ela faz isso porque tem amparo.
​Existem pessoas más que não exercem sua maldade por falta de apoio; mas aquelas que têm amparo tripudiam, pois sabem que teremos que abaixar a cabeça. Elas conhecem os meios certos de punição silenciosa. E eu falarei com quem? Se os superiores apoiam essa pessoa, mesmo sabendo que ela está errada, o meu lado não tem força. Sou visto apenas como um sujeito inferior que todos podem xingar, debochar ou ignorar. Falta empatia. Talvez essa pessoa também sofra preconceitos e, para se vingar das injustiças da própria vida, desconte suas frustrações em mim, escolhendo-me como o seu "Cristo" por saber que sou vulnerável.
​É a lógica de um animal que morde a mão de quem o alimenta. Mas, no caso do ser humano, a punição é disfarçada e desonesta. Não é um confronto cara a cara, onde se ouve os dois lados. A pessoa, frustrada com seus próprios erros, leva isso para o trabalho e escolhe quem ela pode humilhar. E, se você reage, ela trama no silêncio, usando sua influência e sua aparência para comover quem é igual a ela.
​É uma covardia imensa, tanto de quem humilha quanto dos chefes. Ao darem uma função de responsabilidade a alguém assim, entregaram um chicote na mão de quem não sabe usá-lo. Eles não dizem "use o chicote", mas dão a liberdade para que a pessoa escolha quem chicotear. E ela escolheu a mim, sabendo que eu não causaria problemas e que, se algo acontecesse, bastaria me punir silenciosamente, mexendo com o meu psicológico. É assim que essas pessoas conseguem o que querem.
​Acordei abatido, sem sequer lembrar dos meus sonhos, porque a humilhação é um peso que tenta apagar quem nós somos.

Comentários

Postagens mais visitadas