Hoje estou saindo para mais um dia de trabalho. Antes de ir, dei uma olhada na parede do quarto e vi uma manchinha. Deve ser poeira ou alguma outra coisa, não sei ao certo.
Hoje entro às 11 horas no trabalho. Estamos fazendo um horário diferente: trabalhamos das 11h às 15h e, durante a semana, fazemos meia hora de almoço ou janta para compensar o sábado. Vamos ver quanto tempo isso vai funcionar. Ontem mesmo eu disse para um colega que acho que isso não vai durar muito, que logo deve entrar algum decreto e a empresa terá que voltar ao horário normal.
A verdade é que a empresa fez isso a vida toda de outro jeito. Então por que mudar só agora? Não é pensando em nós, funcionários, nem no nosso bem-estar ou no sábado livre. Isso é ajuste deles, redução de gastos. Basta observar para entender o motivo dessas mudanças.
Eu gosto de conversar com as pessoas. Claro que existem pessoas com quem a conversa flui naturalmente e outras com quem não vai a lugar nenhum. Tem muita gente jovem que vive dizendo que não gosta de falar com ninguém, que é indiferente às pessoas. Mas a gente percebe que elas falam, sim — só falam com quem elas querem.
Sempre fui ignorado por algumas pessoas. Ou talvez por muitas, não sei. Lá no trabalho mesmo tem um senhor mais velho do que eu que nunca fala comigo, mas conversa normalmente com um rapaz de 22 anos. Tem também outro colega que eu tinha muita consideração e que conversa com todos, menos comigo. Comigo é apenas o necessário sobre trabalho. Nunca veio brincar, conversar ou puxar assunto. Além disso, gosta de mandar e impor as coisas.
Ontem aconteceu outra situação. Um colega que fala bastante chegou meio revoltado no trabalho. Eu disse que ficaria em determinada posição, porque, pelo meu nome na lista, eu era o terceiro. Fui explicar para ele como estava organizado, mas ele virou as costas e me deixou falando sozinho.
Mas tudo bem. A gente vai aprendendo com o tempo. Existem pessoas que gostam de pisar nos outros, humilhar e atingir justamente o ponto fraco de cada um. Com o tempo, vamos enxergando quem é quem.
Essa madrugada vi um texto sobre um homem que salvava uma cobra do fogo. Mesmo depois de ser picado, ele continuava salvando o animal. Então alguém perguntou por que ele fazia isso mesmo sendo ferido. E ele respondeu que a natureza da cobra era picar, mas a dele era salvar.
Acho que a conclusão é essa: podemos passar por desaforos, injustiças e situações difíceis sem perder a nossa essência. Quando a pessoa tem boa índole, ela não precisa se vingar dos outros. O problema é que existem pessoas que gostam de machucar e, na primeira oportunidade, fazem maldade com alguém.
Mas é isso. Já está dando a hora de sair. Escrevi só para desabafar um pouco. Depois eu volto a falar mais. Tchau.

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