De qualquer jeito, no meu pensar, deitar agora essas palavras nas linhas deste caderno.
A letra é a minha característica, a de todos que se comunicam escrevendo. Já se vê um pouco — ou tudo — da personalidade do sujeito. A minha aparece nos meus feitos. No cortar da letra T, 80% das vezes o traço sai para fora. Uma vez, fazendo faculdade de jornalismo, errei por isso. A professora deu uma redação e disse que quem conseguisse escrever corretamente, sem errar uma palavra, ganharia uma caneta.
E eu, crente de que escreveria corretamente, de que ganharia, errei quase a metade. Muitas das vezes por causa da minha letra torta, do T que eu não cortava direito, do ilegível. Fiquei com a cara no chão quando peguei a minha redação e vi o tanto de erros.
E ainda sou assim: ilegível na escrita, letra de mão que nem eu consigo entender. Se eu escrever correndo, aí que não vai mesmo. Para ler, dá para ler... até eu tenho dificuldade em reconhecer certas palavras.
É assim, nesta manhã de domingo, em que estou saindo, indo para a casa dos meus pais. Todos os domingos eu vou parar lá. Eu queria fazer um vídeo, como tantos que faço falando. Estou com preguiça. É sempre a mesma roupa, o mesmo jeito de falar. Por mais vídeos que eu faça, ainda fico travado, sem jeito. Acho que nunca vou conseguir fazer igual esses caras que criam conteúdo para o audiovisual.
Ontem, para lavar o banheiro, foi uma luta. Em tudo estou com dificuldade. Vou adiando, adiando, sem enxergar a necessidade que existe — e existe há muito tempo. Admiro esse pessoal que se vira em mil, faz tantas coisas num dia, sem descanso, e ainda sobrevive melhor do que muitos que não fazem nada.
Eu sou um preguiçoso nato. Só funciono na pressão mesmo. Sou acomodado. Até hoje não sei cozinhar. Malemá sei fazer um café na cafeteira, e ainda assim o líquido sai fraco, sem aquele sabor igual ao da minha mãe.
O que eu precisaria mesmo era aprender a fazer as coisas sem enxergar essa dificuldade toda aparecendo, sem pensar que não vou ter tempo. A sensação é de que vou levar um dia inteiro para limpar um espaço tão mínimo. Aí vem o pensamento: se eu estivesse lavando roupa, cozinhando, fazendo isso e aquilo... ufa. Que terror. Meu Deus, que preguiça.
A preguiça pode até ser convidativa, mas só o trabalho dá sentido à vida.
— Anne Frank, 24/11/2024, manhã.

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