O ladrão de Bicicleta
É um caos. Essa xícara desesperadora sobre a mesinha, com o notebook parece me encarar.
Eu ainda não sei como sigo — pensando a mil, tentando criar meus próprios entretenimentos, inventando um jeito de continuar vivo. Não desviver.
Já entendi que não vai ser por outro caminho. É isso: Eu, esse cara aqui, escrevendo um agora.
Às 00: 06 hs, um rapaz estranho, parecendo um desses nóias, desesperado, pulou para dentro do condomínio. Logo depois, outros três vieram atrás dele. Ele gritava por socorro. Por um instante, pensei que fosse algum morador não cadastrado no leitor facial da entrada.
Mas não era e sim uma ladrão invasor
Outros três rapazes pularam atrás dele com outra intenção. O primeiro que pulou — que gritava — tentou roubar uma bicicleta de um dos rapazes, que trabalha num trailer de lanches.
E aqueles vieram atrás para pegá-lo, bater nele, entregar à polícia.
Foi um caos. Um bafafá.
Eu vi o momento exato em que todos pularam para dentro. Meu coração gelou. Fiquei me perguntando: no que isso vai dar?
Gritos. Muitos gritos.
Outros condôminos começaram a aparecer. E eu ali, assistindo tudo como se fosse o único morador, como se coubesse a mim fazer alguma coisa — tomar uma providência, chamar a polícia.
Logo surgiram alguns mais corajosos, tentando conter a situação. Os rapazes diziam que aquele ali era um ladrão. Que iam chamar a polícia. No meio disso, xingamentos, palavras pesadas.
O síndico apareceu por último, com a esposa.
E então os rapazes pegaram o ladrão pelas pernas e começaram a arrastá-lo. Ele gritava desesperado, dizendo que iam matá-lo, pedindo socorro — pela polícia, por qualquer um.
E os outros justificavam, explicavam por que tinham invadido o condomínio.
Uma cena surreal.
Por um momento, pensei em pegar o celular e filmar. Talvez por instinto — talvez porque, no fundo, eu sabia que as câmeras já estavam registrando tudo.
Eles queriam fazer justiça com as próprias mãos.
E ali, naquele instante, o ladrão era a vítima — levando socos, chutes, gritando por ajuda.
No fim, foram embora.
A polícia chegou depois. Chamaram. O síndico não foi atender.
E então… tudo se dissolveu.


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