Reflexão 2025

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Olá!!

Hoje é dia 6 de novembro de 2024, uma tarde de quarta-feira.

Eu sempre começo assim. Já tentei começar de outro jeito, já ensaiei mudar, mas acabo sempre voltando para esse início. Talvez porque seja a minha forma de me situar no tempo, de entender onde estou.

Estou assistindo a série Love, Victor. Uma série adolescente que comecei lá em 2020. Naquela época, eu trabalhava na Colormaq. Lembro que eu baixava os episódios, assistia legendado e até comentava com uma colega de trabalho.

Naquele período, eu estava completamente envolvido com o que sentia. Era como se eu estivesse vivendo dentro de mim mesmo. Eu só assistia séries que falavam de amores platônicos, porque era exatamente isso que eu estava vivendo.

Aliás, não foi só um. Foram vários ao longo da minha vida.

Mas aquele… aquele era diferente.

Eu estava apaixonado por alguém parecido comigo. E, dentro disso, eu enxergava todas as possibilidades. Pela primeira vez, eu fui atrás do que sentia. Tive coragem de dizer para a pessoa o que eu sentia.

Não deu certo.

A recíproca não existia.

E hoje eu consigo ver isso com mais clareza. Era muito mais uma construção da minha cabeça do que algo real. Mas, mesmo assim, eu não me arrependo.

Porque, pela primeira vez na vida, eu lutei por algo que era meu.

Não deu certo. Não era para ser. E tudo bem.

Só que hoje eu me encontro aqui… meio parado. Como se estivesse tentando dar uma reviravolta na vida, mas sem conseguir sair do lugar.

Semana passada, achei que algo mudaria. Fui colocado no terceiro turno no trabalho. Pensei que ia trabalhar de madrugada, ganhar mais, melhorar um pouco a situação.

Mas não foi assim.

Na terça-feira, ontem, a chefe pediu para eu voltar para o turno anterior. E isso me mexeu muito. Porque quando é para colocar a gente em um turno pior, tudo é rápido. Mas para melhorar… vira uma burocracia enorme.

Fiquei pensando nisso.

No porquê das coisas acontecerem assim. De criarem uma expectativa na gente e depois tirarem. Isso me lembrou até aquela pessoa por quem eu me apaixonei. Se aproximou, despertou algo em mim… e depois se afastou.

Por que isso acontece?

Por que fazem isso com a gente?

Eu já estava bem no segundo turno. Já tinha até esquecido essa ideia de ir para o terceiro. Aí me colocam lá, eu começo a acreditar… e tiram de novo.

Ontem, fiquei processando tudo isso. Fui dormir tentando esquecer. Antes, mandei mensagem para a chefe pedindo para não esquecer de mim, dizendo que eu precisava daquele turno, não pelo horário, mas pelo adicional noturno.

Eu preciso ajudar minha mãe.

Mas, pelo visto, não vai acontecer agora.

E isso pesa.

Porque eu também tenho minhas contas, minhas coisas. E fico pensando no futuro, em morar sozinho, em construir algo… mas parece que tudo trava.

E eu me pergunto: como mudar isso?

Para piorar, minhas mãos começaram a descamar. Não sei se foi algum produto químico no trabalho. Primeiro foi uma, agora são as duas. Fiquei com medo. É algo visível.

A dermatite voltou também.

Fiquei até com vergonha no vestiário da empresa. As pessoas passam, olham de relance… e isso incomoda.

Fui na farmácia e comprei uma pomada. Já usei antes, resolve bem. Pelo menos isso.

Agora estou aqui, esperando a hora de voltar para o trabalho. Confesso que estou com vergonha de encarar os colegas. Falei que ia para o terceiro turno… e agora voltei.

Mas, ao mesmo tempo, penso: ninguém paga minhas contas.

Então por que essa vergonha?

Talvez porque, no fundo, eu queria sair daquele turno. Tem pessoas lá que são difíceis. Gente inconveniente.

Hoje, eu penso mais em mim. Em sobreviver.

Porque a vida… é uma selva mesmo.

Tem de tudo.

Tem um rapaz lá que conheci no ano passado. Ele é gente boa, mas ao mesmo tempo complicado. Quer mandar, se impor, sem ser chefe de nada.

Outro dia, de madrugada, ele me chamou para ajudar numa tarefa: contar frascos numa caixa enorme. Contei 2.185 frascos.

Eu vejo nele alguém meio difícil, mas também alguém que pode ajudar. Então eu acabo deixando ele ser do jeito dele, porque sei que, em algum momento, ele pode me dar suporte.

Estou aqui escrevendo tudo isso… depois ainda vou organizar melhor.

Agora são 14h06. Choveu há pouco. Graças a Deus. Apesar dos problemas que a chuva traz, ela ainda é necessária.

Eu sinto vontade de chorar.

Chorar para aliviar essa angústia que começou ontem.

É como se tivessem tirado de mim uma possibilidade de mudança. Um caminho. Uma chance de fazer algo diferente.

Eu queria melhorar minha vida. Cuidar de mim. Fazer caminhada, me alimentar melhor, ter um corpo saudável.

Mas aí eu me pergunto: para quê?

Para quem?

Antes, eu tinha um motivo. Há uns cinco anos, eu queria mudar por alguém. Eu tinha uma razão.

Hoje… quem é minha razão?

Tenho 46 anos, indo para 47.

O que eu espero da vida?

Às vezes, parece que estou morto… só não percebi ainda.

Eu não sinto um motivo claro para continuar.

E isso dói.

Eu lembro de 2021, quando saí da empresa. Era inverno. Eu caminhava no quintal de casa por uma hora todos os dias. Colocava um tênis, uma bermuda… e ficava andando em círculos.

Eu queria mudar meu corpo.

Assistia vídeos no YouTube, fazia exercícios em casa. Estava começando a ver resultado.

Eu queria ficar bem. Queria me apresentar melhor para aquela pessoa.

Ela era minha motivação.

Hoje… não sei mais.

Eu queria uma reviravolta.

Mas parece que ela não vem.

Fico preso nessa rotina, nessa mesmice. Como se não houvesse saída.

E eu sei que, no fim, só eu posso mudar minha vida.

Mas como?

Talvez… só Deus mesmo.

Agora vou me arrumar. Já está quase na hora de voltar para o trabalho.

É isso.

Valeu por me ouvir.

Até mais.

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