Fragmentos de Mim


               Fragmentos de Mim

Me tranco nessa casca que se tornou o meu invólucro.

Na noite, começo a recolher cada parte de mim — pedaços, fragmentos, até mesmo aqueles que carrego como feminino — e vou juntando tudo, parte por parte, como um Frankenstein.

E assim vou me refazendo inteiro.
Um funcionamento que busca ser exato, mesmo que ainda turvo ao meu próprio olhar.

No fundo, o que me importa é este agora.
Eu nunca deixei de ser — apenas me guardo, inconscientemente, de vez em quando.

Me fecho nessa necessidade que também é uma exposição total.
Mas que exposição é essa, senão a mim mesmo?
Sou eu vigiando meus passos, meus pés pontuando minhas vontades, sempre em movimento, sempre à deriva entre o que quero e o que compreendo.

Agora há pouco, acho que vi o que não era.
E deixei para depois — para quando tudo estiver mais calmo, mais preciso, mais verdadeiro.

Tudo em mim pede calma e urgência ao mesmo tempo.

Há em mim um abismo fenomenal.
Nele coloco tudo que me faz ser, dentro dessas variações, dentro dessa contradição total que só eu posso tentar entender.

E ainda assim, preciso parar.
Parar para ver se é isso mesmo.
Para ouvir com atenção.
Para confirmar o agora, a minha verdade, o meu sentir diante desse buraco gigantesco que nasce da tentativa de compreender.

Sou esse que busca.
Que se lança com urgência.
Que se deixa cair.

E, como Alice, mergulho — não para me perder, mas para tentar entender o que realmente é.
Se sou.
Qual caminho tomar.
Se estou vivendo de forma certa
ou se tudo não passa de uma quimera.


18/11/2024 — Noite

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