Aqui estou eu, reflexivo, a cada momento em que paro e olho para algum ponto da vida. Fico pensando, sonhando…

Dias atrás perdi a vontade de escrever.

De repente saquei: quem sou eu para inventar aquilo com que não sei lidar em absoluto? Seria como ser pai sem a mínima capacidade de criar um filho. E eu não sei criar nada, não sei levar nada adiante.

Também comecei a enxergar tudo isso como uma tremenda babaquice.

De repente, pareceu mais fácil juntar tesouros, correr atrás de negócios e alcançar um certo patamar social na vida.

A minha vontade de ascender socialmente é enorme. Ter uma mansão, um carrão, viajar o mundo e postar fotos nos lugares mais espetaculares do planeta. Vestir as melhores marcas, ter dentes perfeitos, um belo sorriso…

Ah, eu acho que isso também é felicidade.

Nem vou te perguntar o que você pensa sobre isso. Pelo que já me disse antes, imagino a sua resposta.

São tantas coisas que eu ainda queria dizer sobre o que quero para mim.

Pensar em amor? Não mais, pelo menos por enquanto.

Agora penso mais em mim, nos meus desejos, e gosto de quem eu sou.

De certa forma, mesmo sendo visto por muitos como “menos”, o importante é quando nós mesmos conseguimos nos enxergar como algo além. Isso é tão importante… autoestima lá em cima e pouca preocupação com a opinião de quem não está nem aí para nós.

É aí que começo a entender certas pessoas que parecem tão bem consigo mesmas que se colocam acima de tudo e de todos. Não acho que sejam totalmente ruins. Acho que a autoconfiança dá um equilíbrio emocional que muita gente interpreta como arrogância, insensibilidade ou falta de empatia.

Resolvi que não vou mais ficar em bad por nada.

Ficar deprimido por frustrações só nos coloca à margem da vida e ainda dá poder para aqueles que gostam de ver o outro para baixo, reclamando por não ser, por não conseguir.

Resolvi me esforçar ao máximo para não me importar tanto.

Também não estou afim de ninguém agora. Existe algo em mim que me distancia das pessoas e me lembra que somos todos iguais, apenas tentando lidar com a vida do jeito que conseguimos.

Às vezes me acho o cara mais “burro” do planeta — no sentido engraçado mesmo, alguém distraído, cheio de falhas de atenção. E, ao mesmo tempo, percebo que inconscientemente dou um olé em muitas situações.

Acabo driblando certos entreveros da vida sem perceber. Já notei isso.

Talvez seja algo divino. Uma proteção de Deus. Um anjo que me acompanha e me livra de situações embaraçosas.

É engraçado porque o líder lá do trabalho começou a me enxergar como um atrapalhado. Brinca comigo, me chama de “meninão”. E quando alguém chama um homem de certa idade de “meninão”, é porque percebeu uma sensibilidade nele — algo que o torna aparentemente incapaz em certas situações, alguém subestimado em algumas funções.

Ele faz brincadeiras, perguntas simples, como se eu soubesse onde está uma chave ou não, e parece se divertir com isso. Mas ao mesmo tempo existe um certo encantamento em lidar com alguém visto como inofensivo, alguém que merece ajuda justamente pela honestidade que transmite.

Eu mesmo já me encantei por pessoas assim. Pessoas vistas como frágeis ou incapazes de certas coisas, mas que possuem uma inteligência emocional rara.

Seres assim são raros. E talvez o universo os proteja.

Penso que fui poupado de muitas situações na vida.

Nos trabalhos, como já contei, sempre fui mais lento, mais esforçado do que naturalmente habilidoso. Ficava para trás dos colegas. Na escola então, nem se fala.

Mas, ao mesmo tempo, fui sendo visto como alguém peculiar. E talvez isso tenha me salvado de ser destruído por certas pessoas que enxergavam minhas limitações, mas também percebiam algo humano ali.

Até aqueles que provocam têm um papel importante na história de alguém.

E talvez eu também tenha sido, sem perceber, o antagonista na vida de algumas pessoas.

Enfim… comecei falando uma coisa e cheguei em outra completamente diferente. É assim mesmo.

A gente vai se contradizendo enquanto tenta fazer tudo ganhar sentido.

A minha vida faz sentido para mim, porque sou eu quem a vive.

Para os outros, ouvindo eu falar, talvez muita coisa pareça sem lógica ou exagerada. Mas só eu sei o que existe dentro de mim, mesmo sem conseguir explicar tudo com clareza.

A vida de um ser humano comum é como um texto escrito às pressas, no meio do caos de tantos encontros e conflitos.

No fim, alguém sempre precisa editar a própria história para conseguir acreditar nela.

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