Vera Fischer
Gente, ontem foi assim: Cheguei do serviço com vontade de ir ao teatro assistir à peça Ela é o Cara, com a deusa Vera Fischer. Antes de eu morrer — ou ela —, nossos caminhos precisavam se cruzar.
Vera, a mulher mito. De uma beleza extrema: miss, mãe, protagonista de tantas histórias.
A primeira vez que soube dela foi como uma deusa, em Mandala. Ela interpretava lindamente Jocasta, um papel tão ligado ao Complexo de Édipo — termo criado pelo psicanalista Sigmund Freud para descrever a relação entre mãe e filho. Ali, ela era simplesmente perfeita. Era mitologia grega em cena. Vera era Jocasta, com uma semelhança quase mítica a Helena de Troia — que anos depois ela também viria a interpretar, em outra obra.
E então eu a vi entrando em cena.
Fiquei surpreso. Sorri, meio bobo. Era ela — igualzinha à da televisão. O mesmo jeito, a mesma presença, a forma de falar. Claro, não mais jovem como antes, mas agora uma senhora — ainda linda, ainda potente, capaz de dar vida a tantos outros personagens.
Eu vi a Vera.
Houve um momento da peça em que as luzes se apagam — parte do espetáculo — e fica um breu total. O teatro mergulha no escuro, e Vera continua falando. Imagine sentir que aquele seu ídolo está ali, no escuro, junto de você. Foi assim.
A peça seguiu, e nós ali, prestigiando a atriz.
Quando terminou, muitos queriam tirar foto com ela. Ficamos esperando, cada um com seu celular na mão. Fomos para a frente do teatro aguardar. Estava demorando, e o público permanecia ali, ansioso.
Nesse tempo, acabei conversando com uma jovem — devia ter uns 25 anos ou menos. Falamos das novelas da Vera. Ela comentou que assistiu Vale Tudo e que estava vendo Pai Herói, gostando muito. Eu disse que também, que era a primeira novela da Janete Clair que eu assistia, e que sempre gostei muito da Ivani Ribeiro. Inclusive mencionei uma novela dela que iria reestrear no Canal Viva, às 15h30. Ela ficou toda empolgada.
Conversamos por uns dez minutos. Vimos uma criança passando pela coxia — talvez filha de algum produtor. Eu já estava achando que estava demorando demais, então fui até a frente do palco perguntar a um funcionário se a Vera ainda sairia. Ele disse que ela já tinha ido embora. Não acreditei muito.
Ainda havia gente na frente do portão por onde saem os carros.
Voltei ao palco. Uma das moças que aguardavam apontou para uma mulher de costas, meio escondida, no palco já desmontado.
Era a Vera.
Eu fui. Subi a escadinha e a chamei.
Ela virou e me olhou.
Quase tropecei. Estava emocionado. O coração disparado, as pernas bambas. Era ela, com aquele sorriso doce que é sua marca.
Ela me cumprimentou com dois beijinhos, e eu pedi uma selfie.
Nossa… que mancada. No nervosismo, falei que tinha assistido Vale Tudo — novela da qual ela nem participou. Logo corrigi: Laços de Família. Ela levou numa boa.
Comentei que minha mãe era fã dela. Fiquei até pensando depois: será que peguei mal? Mas Vera foi gentil. Acho que ela viu em mim um garoto — talvez da idade da filha dela — e entendeu. Claro que minha mãe a acompanhou na televisão, já que são da mesma geração.
E então tiramos a selfie.
Duas selfies.
Vera foi de uma simpatia incrível. E eu consegui.
Viram?
Em vida, eu tive um encontro com Vera Fischer.
A gente precisava se encontrar.
E foi assim.
Como uma deusa.



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