Me chame
Me chame quando chegar a hora.
Ando pesquisando até tarde. Eu queria ser mais ágil em tudo o que faço, na forma como coloco as minhas coisas em prática.
Quando tudo é apenas para agradar a mim mesmo, acabo me vindo por terra. Agora virou outra coisa: quero dispensar o mais rápido possível aquilo que não me serve.
Se você entendeu o que significa cada milímetro do meu espaço, penso que calcule com cuidado aquilo que pode virar a minha dor.
Estou sendo o dia de hoje e prestando a devida atenção em tudo o que eu puder ser — se for algo do meu total interesse, o que quase sempre é. E não me oponho.
— De forma alguma.
Acho que é meu dever concordar com todo esse acontecer, dando por justa essa vida toda.
Tudo o que é vida me toca, e eu quero ver desenvolver.
Tenho total respeito pelos vivos e temo os mortos. O contrário parece ser mais fácil de lidar, não?
Quando morto, tudo tende a não aborrecer e virar uma espécie de anjo salvador — um jogo individual em que cada ser que continua vivendo tem o direito de reverenciar os seus, o seu.
Ando pensando em tudo o que se move e fazendo um altar interior, atribuindo todas as qualidades positivas e ignorando as negativas, porque essas muitas vezes são falhas imperceptíveis.
O mau caráter, penso, muitas vezes é resultado de uma ignorância inconsciente, que faz com que muitos de nós ajamos sem pensar, apenas por impulso.
Baseado em um gênio difícil, alguém pode acabar dando por perdidos todos aqueles que nasceram com esse distúrbio — e talvez jamais consigam se salvar.
São, de certo modo, vítimas de si mesmos.
Estou fazendo o meu “de conta”, tentando aprimorar todos os meus caminhos.
Se eu não os revisitar de vez em quando, buscando compreensão contínua, fico sem saber como seguir por aqui. Fico num estado de nada, tateando sentidos pelo caminho.
Então penso: que me chamem — ou me chame — quando chegar a hora mesmo.
Por enquanto, tento ao máximo cultivar o meu espaço. Ser como tem que ser.
Tudo aqui é de um jeito que a gente aprende a lidar com o tempo.
Ainda é vida.
23/05/2025 — Madrugada



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