Eu estava na estação.
Estar ali era uma das minhas ações. Era hora de ver, de vir… Triste ou feliz? Escolhi os dois.
Olhei adiante. Vamos.
O trem chegou.
Na estação, percebi o quanto ainda sou criança. Ventava na noite, e o escuro era o meu esconderijo secreto. Coloquei-me ali, espiando pela fresta de uma rachadura.
Tudo era calmo. E, olhando à frente, eu via apenas aquilo que queria ver. A sensação era de ser unicamente eu, sem me importar com os demais.
Estava tomado pelo poder de simplesmente ser.
Há anos tentando ser por excelência — e, quando isso vem, manifesta-se através de uma ideia do que eu quero que seja.
E é agora.
Estou no limite de um momento que beira todo o patrimônio do mundo. Uma sensação que me faz sentir o maior dos gênios, capaz de descobrir a cura de todos os males.
E acho, então, que descobri.
Exercitar o nosso bem-querer. Olhar para o nosso eu. Querer-nos bem. Amar-nos. Apaixonar-nos por aquilo que realmente somos.
Estou inebriado por mim. Pelo que sou capaz de ser agora.
Transcendi.
Fui aonde muitos acham que vão — e não foi preciso ver com clareza, mas sim dosar o que pode ou não ser.
Subi ao cume de uma montanha imaginária. Olhei o horizonte.
E entendi:
É isso.
Sou eu.
Infinitamente eu, aqui.

17/11/2014 — 
Madrugada

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