Dentro das minhas paredes, parece sair um som de sangue borbulhante.

Parece uma alucinação que vem perturbar todas as minhas formas de estar. E eu ouço com ouvidos de mouco, de um futuro louco. Tateio como se estivesse no escuro. Ouço na precisão de um existente que recua, covardemente, das emoções.

E então, ouvir se tornou o calvário do surdo que procura dentro o que não há — e desata na mais pura insatisfação. Um não de ir atrás de um sim infinitamente distante, que tripudia sobre os gestos duvidosos de algo que, estando calado, percorre a esperança de um viés que declinou logo ali, no que padeceu de um mentir existir.

Agora, as contas somadas iam interagindo com os grandes, delineando, ali, o seu modo de existir com um puro e singelo sorrir.

Quando se quebrou o silêncio pelas vias de um acontecimento imaginário, tudo foi perdendo movimento e calando-se à medida do tempo, até nada mais condizer com o barulho borbulhante que vinha de dentro para fora — do meu sangue que fervia na imaginação, dando às pétalas formas abstratas, falando com palavras de um novo ar de existir.

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